15/04/2018

Rampage - Fora de Controle (Rampage - 2018)

            Alguém se lembra deste jogo? Eu estou na categoria do nem por isso mas nem é difícil de entender. Temos um gorila, um crocodilo e um coiote de tamanho gigante a destruir prédios, com Dwayne Johnson lá no meio, por isso há tudo para correr bem.
            Bem, como dizer isto?... O filme é parvo mas mesmo muito parvo! E o melhor é que isso não é um ponto negativo! Se não estavam à espera disso ao ver o trailer, então a culpa é só vossa. O modo como a transformação acontece até é convincente que chegue, cuja origem provém de um agente patogénico a ser trabalhado no espaço. A partir daí, tudo acontece mais ao menos como se está à espera.
Vamos começar pelo negativo, que foram os vilões. São do tipo mais cartonesco possível e tomam decisões que não fazem sentido nenhum, só queremos que não desperdicem mais tempo de ecrã. Outra coisa é a química entre Dwayne Johnson e Naomie Harris, praticamente inexistente. Mas, por outro lado, a relação de Johnson com o seu gorila George é mais credível e divertida.
Mas vamos ao que interessa: a ação. Aí não vamos ficar desapontados. Todo o terceiro ato envolve a destruição da cidade de Chicago por estas três criaturas. A sua caracterização até tem efeitos muito bons e o modo como a ação é decorrida está bem retratada, sem nunca nos perdermos no que está a acontecer.
Bem, o marketing aqui não nos enganou; não esperem o próximo vencedor dos Óscares mas sim quase duas horas bem passadas. Além disso, este é bem capaz de ser dos melhores filmes baseados num videojogo (o que também não é difícil).


11/04/2018

Braven (2018)


            Vamos ver um filmezinho de ação com Jason Momoa? O nosso Aquaman toma o papel de pai de família que protege contra uns traficantes de droga. Simples não é? Ao menos, é mais credível ver Momoa a despachar gente do que outros protagonistas deste tipo de filmes. E também se faz acompanhar por Stephen Lang, por isso, está praticamente ganho.
            Todos sabemos como isto se vai passar. Momoa vai matar toda a gente como o grande campeão que é. Nesta história, não foi um ex-agente especial nem uma máquina assassina, por isso em alguns confrontos ainda leva com alguma dose de pancada. Adicionalmente, o cenário também ajuda, já que não é assim tão comum haver filmes de ação passados na neve.
            Só mesmo assumindo que Stephen Lang tem problemas mentais é que é credível que não seja ele a despachar toda a gente, já que ele é bem capaz disso. Contudo, o modo como essa vertente da história foi resolvida não me agradou propriamente pois era demasiado óbvia.
            Tirando isso, “Braven” é um filme que se vê bem. Não é nada de especial e tem quase todos os clichés do género mas, mesmo assim, se sabem para o que vão, proporciona uma hora e meia bem passada.


03/04/2018

Ready Player One - Jogador 1 (Ready Player One-2018)


            Steven Spielberg volta a entrar em ação nos blockbusters com uma adaptação que promete trazer uma enorme dose de nostalgia. O único problema é se o filme será, simplesmente, um depósito incoerente de referências ao invés de um filme com cabeça, tronco e membros. Mas, felizmente, estamos nas mãos de um dos melhores realizadores de sempre, por isso, há esperança!
            Estamos no ano de 2045 e o mundo não é um lugar muito agradável. Por isso, toda a gente passa a maior parte do seu tempo no OASIS, um mundo de realidade virtual, onde podes ser e fazer tudo o que quiseres. A aventura começa quando o criador deste mundo morre e deixa no jogo pistas que conduzem ao controlo de toda essa herança e a uma imensa fortuna. E claro que todos irão embarcar nesta busca.
            Não posso fazer a comparação com o livro porém o filme é uma incrível aventura. Temos uma quantidade enorme de referências de cinema, videojogos e da cultura pop que enriquecem a experiência para quem as descobre. Felizmente, para quem não as reconhece, consegue-se desfrutar na mesma do filme, já que cria o seu próprio enredo independente.
            Para quem possa estar preocupado que toda a ação se passa no OASIS, pode estar descansado, já que muito do tempo também decorre no mundo real (e, aparentemente, essa é uma das diferenças relativamente ao livro). Tal serve para nos ligarmos mais às personagens, quando passarem para o mundo digital. Posso dizer que todo o elenco está muito bom, com Tye Sheridan a comandar a ação. O que não gostei tanto foi do vilão de Ben Mendelsohn, não por culpa do ator, mas da personagem em si, que não é ameaçadora e torna-se algo cartunesca.
Os efeitos especiais estão incríveis e merecem ser totalmente apreciados no grande ecrã a 3D. Todas as referências têm um propósito claro para estar lá e não estão apenas por estar. A melhor de todas é capaz de ser a referente ao “The Shinning” - e mais não digo para não estragar a surpresa. Uma coisa que me deixou a pensar no fim da sessão é se daqui a 10 a 20 anos este filme vai conseguir cativar visualizações de outra geração, pois muitas das referências simplesmente já não vão ser lembradas. Não estou a falar naquilo que vemos relativo a “Regresso ao Futuro”, “King Kong” e Batman, que já fazem parte da nossa cultura por várias décadas, mas muitas das personagens de videojogos de agora provavelmente não vão fazer parte do nosso léxico cultural. Contudo isso não retira todo o valor da aventura apresentada.
Spielberg volta a mostrar que consegue fazer tudo, passando do drama “The Post” que estreou recentemente até um blockbuster recheado de efeitos visuais. Pode ser que o próximo Indiana Jones até corra bem.
“Ready Player One - Jogador 1” é uma grande aventura, cheia de referências à cultura pop, que merece uma saída até ao cinema mais próximo.



21/03/2018

Aniquilação (Annihilation - 2018)



O Netflix veio para fazer mossa! As suas séries originais têm tido grande sucesso, já não se pode dizer o mesmo dos seus filmes. Não têm sido todos um erro mas a maior parte sim. “Aniquilação” de Alex Garland (“Ex-Machina”) tenta ser uma daquelas exceções: um filme de ficção-científica que nos quer deixar a pensar.
Alguns cientistas parte numa missão secreta para uma zona misteriosa onde as leis da natureza e da física não se aplicam.
            Uma coisa que se destaca logo é a qualidade de todo o elenco. Temos Natalie Portman, Tessa Thompson, Oscar Isaac, Jennifer Jason Leigh - entre outras mais - que conseguem transmitir uma história única em cada uma das personagens, mesmo que tenham pouco tempo no ecrã.  
A fotografia do filme é muito boa, com ótimo tratamento e uma vivacidade acima do normal das produções do serviço de streaming (o que também é normal, visto que o filme foi produzido pela Paramount e o Netflix apenas o comprou).
A história pode ter várias interpretações… Temos a abordagem mais direta à exploração de uma ameaça vinda do espaço e todas as implicações na natureza, como a criação de mutantes animais e vegetais. Nas entrelinhas, podemos perceber o verdadeiro sentido desta jornada, o significado de cada descoberta e como resolvem lidar com cada nova informação.
No geral, não é um filme tão consistente como “Ex-Machina” e, em alguns momentos, tenta ser mais esperto do que na verdade é. Mas tal não implica que “Aniquilação” não seja um bom filme no catálogo do serviço.