24/02/2017

Moonlight (2017)



A corrida para as estatuetas douradas continua e, quem se seguiu na minha lista de críticas o muito recomendado e cheio de prêmios “Moonlight”. Realizado por Barry Jenkins, este é um filme que tem sido considerado o mais sério concorrente a “La La Land”, para o maior prémio da noite, só que não me convenceu.
Aqui vemos três décadas da vida de Chiron. Um negro, que está em constante conflito por ser homosexual, num ambiente em que é permanentemente perseguido na escola e que, quando volta a casa, tem que cuidar da sua mãe drogada.
Relativamente às escolhas da Academia, vou começar por aquilo que me parece mais claramente exagerado, que é a nomeação (e, a que tudo indica, vencedor) de Mahershala Ali, como melhor ator secundário. Primeiro, ele está no filme uns 15 minutos. Verdade que não quer dizer nada pois pode ter, na mesma, um grande impacto, só que não acontece. Não que não seja um incrível desempenho, tenso e com subtilezas, mas mesmo assim parece-me um exagero a nomeação para o maior galardão do cinema. Já Naomie Harris tudo bem, faz um trabalho muito bom, intenso e destruidor, e merece ser premiada.
O grande problema que tenho aqui é o mesmo que tenho com “Manchester by the Sea”, que é não ter um final propriamente dito. Não que esta não seja uma história que não mereça ser contada mas não apresenta um propósito claro sobre o que é e o que quer fazer. O modo de como Chiron se transforma ao longo do filme serve para mostrar que tudo funciona num círculo, tendo-se tornado em adulto naquilo que destruiu a sua infância.
De resto, “Moonlight” é um grande filme. As três histórias estão muito bem construídas e conseguem funcionar de maneira individual e as suas transições estão muito bem-feitas.


19/02/2017

Vaiana (Moana - 2016)



                A animação da Disney que saiu no final do ano passado e que, recentemente, recebeu duas nomeações para os Óscares foi um sucesso, tanto para a crítica como nas bilheteiras. Mas, será que esta animação com inspirações havaianas merece assim tanta atenção?
                Quando a maldição, causada por um incidente com o semideus Maui, chega à ilha de Vaiana e começa a destruí-la, a protagonista vai ter de responder ao chamamento do Oceano, para encontrar Maui e restaurar o equilíbrio.
                Vamos logo dizer que, em termos técnicos, está tudo impecável, sempre com o selo de qualidade a que o estúdio nos habituou. E, visto que quase todo o filme se passa na água, que é algo muito difícil de recriar digitalmente, o facto de estar bem implementado é um grande feito. Além disso, as tatuagens vivas que percorrem o corpo de Maui estão muito bem implementadas e dão uma nova caraterística ao filme e o seu desenho transporta-me até “Hércules”, outra animação da Disney.
                Mas, também vamos ser honestos, a história não é nada de novo. Segue a mesma fórmula a que já estamos tão habituados: pais que não deixam a filha fazer aquilo a que está destinada, para ela depois fugir para tentar salvar toda a gente e no fim a ser reconhecida por todos. Só que em fórmula vencedora não se mexe e se, até agora, tem funcionado, porquê mudar?
                Mas temos aqui coisas diferentes. É a primeira vez que nos envolvemos na cultura havaiana, principalmente com a sua mitologia e momentos musicais. Assim, a Disney junta mais uma princesa de uma origem diferente às suas fileiras, e já agora muito bem representada. Auli'i Cravalho, que lhe dá a voz na versão original, tem um bom desempenho e tem voz para conseguir dar força às músicas do filme. Dwayne Johnson, que dá a voz a Maui, é uma boa surpresa, já que, geralmente, o ator não faz trabalhos vocais - e em algumas músicas isso nota-se -, mas, mesmo assim, consegue ter a melhor música do filme. E, mesmo a personagem em si é interessante, de alguém que mesmo com tremendo poder precisa da aprovação dos outros.
                Se este tipo de filmes da Disney é algo que gostam, muito dificilmente não vão gostar deste. E já que eu faço parte desse grupo, posso dizer que gostei bastante do filme, embora continue a preferir que “Kubo e as Duas Cordas” ganhe o Óscar para melhor animação.


15/02/2017

Hell or High Water - Custe o que Custar! (Hell or High Water - 2016)



            À primeira vista, este “Hell or High Water - Custe o que Custar!” pode ser um filme que passe despercebido e que não apresente assim nada de especial comparativamente com os outros candidatos. Só que, no fundo, estamos perante um western dos tempos modernos, mas será que merece as quatro nomeações que tem para as estatuetas douradas?
            Um pai divorciado e o seu irmão, acabado de sair da prisão, planeiam um esquema de roubar uma série de bancos, como forma de assegurar o futuro da sua família.
            Se uma coisa que salvou o filme foi ver outro lado de Chris Pine. O ator costuma aparecer mais em grandes filmes de ação, como “Star Trek” ou “Jack Ryan”, e, vê-lo nesta posição mais contida e com semblante mais sério, é uma boa mudança e prova as capacidades do ator. Ver Ben Foster num papel de maior protagonismo é sempre de valor, já que estamos perante um grande ator, que muitas vezes é relegado como personagem secundária. Jeff Bridges faz aquele papel de velho rezingão que faz tão bem, aliás como poucos o conseguem fazer mas, daí a ter sido nomeado para melhor ator secundário, acho que já foi um pouco exagerado.
Destaca-se por ser um filme que reflete a crise económica num ambiente americano diferente, não nas grandes cidades mas sim em terras mais longínquas e perdidas. Onde o desemprego abunda e tenta-se fazer o que se pode para sobreviver. E, para nos mergulhar-mos verdadeiramente neste ambiente, temos uma ótima banda-sonora.
Também nos é proposto um conflito sobre por quem devemos torcer: pelas figuras da autoridade que querem parar estes assaltos ou pelos assaltantes que, embora estejam a fazer o que podem para assegurar o futuro, recorrem a meios ilegais.
Atenção que não é um filme a fervilhar de ação. Temos os assaltos aos bancos e uma cena de tiroteio que, mesmo estando bem executados, não chegam para termos um verdadeiro filme de ação. É verdade que é propositado, pois este é um filme de maior reflexão, mas mesmo assim tem alguns momentos que são aborrecidos.
“Hell or High Water - Custe o que Custar!” tem muita coisa boa e é um verdadeiro western moderno mas não deixa também de ter a sua dose de defeitos.