18/03/2017

Lego Batman – O Filme (The LEGO Batman Movie - 2017)



                Spin-offs tanto podem ser razoáveis como uma desgraça completa. Este veio da animação surpresa que foi o bem-sucedido “O Filme Lego” e envolve Batman mas será que é possível haver lugar para estas peças no mundo do cinema?
                Bruce Wayne tem muito com que lidar, não só com os muitos e muitos criminosos que habitam Gotham City, como também com a responsabilidade de criar um rapaz que adotou.
                Aquilo que torna “Lego Batman” tão original e divertido é, ao mesmo tempo, aquilo que pode afastar algumas pessoas. É preciso ter um grande conhecimento do mundo, principalmente cinematográfico, de Batman e de tudo o que o envolve, com bastantes referências a filmes anteriores e mesmo a personagens muito obscuras do mundo do homem-morcego. O resto das pessoas conseguem divertir-se a ver o filme - e provavelmente vão!- mas vai haver muita coisa que simplesmente irá passar ao lado.
                O argumento também demonstra que, quem o escreveu, está familiarizado com a personagem em questão, já que mergulha naquilo que a personagem verdadeiramente é, explorando o seu sentimento de solidão e o desejo de uma nova família. E isso nota-se nas interações com Alfred, Dick Grayson e Joker. As cenas e ação estão a um bom nível, não só para os standards de peças Lego como também relativamente a cenas de ação cinematográfica em geral. Existe uma situação ou outra mais confusa mas não prejudica a grande qualidade global.
                Há um pequeno detalhe negativo para a dobragem pois, em algumas situações, tanto tínhamos Bruce Wayne como Bruno Wayne! Tal era completamente escusado mas pronto, não é nada que estrague a experiência geral do filme.
                “Lego Batman – O Filme” é uma grande animação, que atinge o seu verdadeiro potencial para quem está por detrás da mitologia do vigilante de Gotham e, como sabem, “Batman é amor, Batman é a vida”.


14/03/2017

Kong – A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island - 2017)



                Depois de “Godzilla”, chega o regresso de King Kong, 12 anos depois da versão de Peter Jackson, e a tentar entrar naquilo que está mais na moda hoje em dia, universos cinematográficos, desta vez uma série de filmes de monstros e juntá-los a todos como amigos ou inimigos.
                No ano de 1973, uma equipa de exploradores viaja até uma ilha misteriosa pela primeira vez, sem saber que, ao fazê-lo, encontrarão uma série de enormes monstros, um dos quais o poderoso Kong.
                Como já foi verificado nos vários trailers lançados, o filme tem uma clara inspiração em “Apocalypse Now”, desde o esquema de cores e imagens até ao tema da Guerra do Vietnam, embora este último ponto seja como plano de fundo, já que não é o destaque principal. Porém esta é uma mudança agradável de “cenário”. Logo aqui marca uma diferença em relação ao último filme que vimos do grande macaco mas as mudanças não se ficam por aí. Não temos a estranha relação com o elemento feminino do grupo de exploradores, nem uma viagem a Nova Iorque para ser exibido para as massas. Assim, ao menos, temos uma versão diferente do que já conhecemos.
                Se estiverem à espera de ver um filme com Kong em destaque e com grandes cenas de ação, podem ficar descansados. Se, por outro lado, estão à espera de muito desenvolvimento das personagens humanas, podem esperar sentados já que vão ficar a perder. Também quem for ver um filme sobre um macaco gigante e estiver antes interessado no passado e no inter-relacionamento dos exploradores, é porque não sabe para o que vai.
                As cenas com Kong estão muito boas, desde o aspeto do enorme macaco (um dos maiores que já visto) até à variedade de inimigos que defronta. E, quase como a compensar o pouco que vimos de Godzilla no seu filme, temos logo um confronto entre Kong e os militares, que mostra logo o ponto de partida para o que aí vem. Já que a ilha da Caveira está habitada por um grande número de fauna, alguns com um look bastante interessante.
                Os elementos humanos não são muito interessantes. Samuel L. Jackson faz de um militar que vê na derrota de Kong a redenção pelo abandono da guerra do Vietnam. Brie Larson interpreta uma fotógrafa (e mais importante, o elemento feminino) que não acrescenta muito ao desenrolar da história, e o mesmo se pode dizer de Tom Hiddleston. Não que não tenham uma boa interpretação, simplesmente não lhes é dado muito para fazer. O melhor é John C. Reilly, como um piloto da Segunda Guerra Mundial que ficou preso na ilha desde essa altura, que tem algumas tiradas cómicas interessantes e nos serve para dar contexto sobre tudo o que se passa à nossa volta.
                Como forma de acrescentar algo ao universo interligado de monstros que vem aí, “Kong - A Ilha da Caveira” é um bom filme. Serve como um caso isolado mas também dá algumas informações para os filmes futuros embora a maior parte delas seja através da cena pós-créditos.
                Se estão à espera de ver um filme com boas doses de ação entre monstros gigantes e humanos, com cores vivas e boa música, este é o vosso filme. Se, por outro lado, querem uma maior profundidade de personagens, é melhor irem ver outra coisa no cartaz.


08/03/2017

Logan (2017)



                Hugh Jackman está de volta à personagem que o transformou numa estrela, desta vez num registo muito diferente. Aqui temos um Wolverine a usar as suas garras em toda a sua utilidade, a cortar membros e a trespassar cabeças, por isso já sabem: nada de levar os mais pequenos, este não é o típico filme de super-heróis.
                Num futuro próximo onde os mutantes estão praticamente extintos, um envelhecido Logan vive escondido com um demente Charles Xavier na fronteira mexicana. Porém, quando uma jovem mutante aparece e precisa de ajuda para fugir dos seus perseguidores, Wolverine volta a entrar em ação.
                Estão a ver o nível de brutalidade de “Deadpool”? Bem, aqui é igual só que, em vez de termos o tom cómico e satírico, reina o outro lado do espetro, com um drama ao estilo western. Mais uma jornada pessoal, ao estilo do recente “Hell or High Water – Custe o que custar!”, onde temos um velho e cansado Logan em que a última coisa que quer fazer é meter-se numa luta (não que isso não impeça a grande abertura do filme).
                Hugh Jackman volta a pegar nesta personagem (pela última vez, supostamente) naquela que é uma despedida merecida e em grande estilo. Wolverine já não anda por aqui a salvar um mundo desprovido de mutantes, mas sim a tomar conta do demente Professor Charles Xavier que, sendo o telepata mais poderoso do mundo, é uma grande dor de cabeça (literalmente!). Chega mesmo a ser considerado pelas autoridades como uma arma de destruição maciça. Mas, quando a jovem Laura (uma mutante com os mesmos poderes de Logan) aparece e precisa da ajuda do duo pra se salvar, o nosso protagonista vai ter de voltar a mostrar as garras.
                  E essas garras aqui conseguem ter o seu merecido protagonismo, ao, finalmente, entrar em cabeças, cortar membros e despedaçar toda a gente que se meter no caminho. Finalmente, aparece o sangue que é esperado neste tipo de arma, o que o torna, ao lado de “Deadpool”, do filme mais “agressivo” da saga X-Men até agora. A par do enredo do anti-heroi negro e vermelho, aqui também temos poucas referências à equipa de mutantes. O filme serve mais como uma história à parte, com o alvo da atenção a ser a relação entre Logan e Charles, com o peso da idade.
                E, esta relação, que começou com o primeiro “X-Men” em 2000, atingiu um novo nível de familiaridade, com nenhuma dos dois a saber já qual o seu propósito e se, o que estão a fazer, vale a pena. Jackman e Patrick Stewart nunca estiveram melhor e aqui têm bastante mais com que trabalhar em relação aos filmes anteriores. Mesmo ver a personalidade da jovem Dafne Keen evoluir ao logo do filme é algo compensador principalmente a sua relação com Logan.
                O primeiro filme a solo de Wolverine pode ter começado muito mal, mas conseguiu fechar com chave de ouro.