20/02/2018

A Forma da Água (The Shape of Water - 2018)



                Sendo grande fã de Guillermo del Toro, acho incrível e muito merecedor toda a atenção que o realizador está a ter com este “A Forma da Água”. Mas, não sei porquê, este não foi um filme que me levou a correr para as salas de cinema… Tem tudo aquilo que gosto dele, toda a fotografia e ambiente são os caraterísticos e tem sempre aquele elemento mágico. Talvez, por ser uma história de amor, não me tenha puxado tanto, mas vamos lá ver o que se espera daquele que tem 13 nomeações para a noite dos óscares.
                Numa instalação secreta dos anos 60, uma mulher das limpezas muda cria uma relação única com uma das criaturas lá detidas.
                E foi exatamente aquilo que estava à espera. Tem toda a magia de um mundo criado por del Toro, mas a história não me entusiasmou tanto como parece a toda a gente. A relação e o modo como Elisa e a criatura interagem - já que Elisa apenas consegue comunicar com linguagem gestual - consegue ser algo diferente do que temos visto habitualmente. Esta é uma relação credível pois Elisa, que tem dificuldade em se relacionar com outras pessoas para além do seu vizinho e de Zelda, consegue estabelecer uma relação com alguém que também é diferente e que está a ser maltratado.
                As personagens estão muito bem desenvolvidas, desde os protagonistas até ao vilão. Michael Shannon tem um grande papel como o antagonista, um que entendemos os motivos e que conseguimos, até em algumas alturas, simpatizar.
                Guillermo del Toro consegue, mais uma vez, criar um mundo muito dele e que vale a pena ver. Assumo que todas as nomeações a ele associadas são merecidas. Contudo, mesmo tendo gostado da história, não me parece que seja com este filme que o realizador vai conseguir levar a estatueta, pelo menos é o que me dizem as entranhas…


14/02/2018

Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World - 2018)



            Meu Deus! A tinta que este filme fez correr ainda sem sequer ter sido lançado... Na linha das acusações de assédio sexual que envolviam Kevin Spacey, o ator acabou por ser substituído por Christopher Plummer. E tudo isto sem alterar a data de lançamento,  pois o realizador Ridley Scott pensava que tinha um grande produto para arrecadar umas estatuetas douradas (e, de facto, Plummer teve direito a uma nomeação como melhor ator secundário). Mas se, por ventura, a merecia, é outra história completamente diferente.
            Em 1973, John Paul Getty III foi raptado nas ruas de Roma, com os raptores a exigirem um avultado resgate ao avô do rapaz, J. Paul Getty, o homem mais rico de mundo, que não está muito inclinado em fazê-lo. 
Entendo a ideia da Academia em querer mandar uma mensagem positiva por Scott ter substituído Spacey como J. Paul Getty mas sinceramente Plummer não faz uma atuação digna de nomeação. Não digo que tenha um mau desempenho mas nunca o consideraria como uma das cinco melhores atuações do ano, principalmente num papel facilmente substituível.
Tirando isso, “Todo o Dinheiro do Mundo” não fascina. Para começar, é demasiado longo, são mais de duas horas de fita e sem qualquer necessidade. Não vou revelar a história mas a parte final é completamente desnecessária, aliás, nem faz parte do que aconteceu realmente. E não sou nada contra acrescentar coisas à história “original” logo que beneficiem o filme, o que não acontece no caso.
A história é interessante, mas não prende o suficiente. Getty é como um Tio Patinhas, que tem todo o dinheiro do mundo, mas é incrivelmente forreta, que nem com o rapto do seu neto favorito é capaz de abrir os cordões à bolsa para o salvar. Michelle Williams e Mark Wahlberg fazem um bom trabalho contudo, sinceramente, não é nada de espetacular. Quando me recordo que existiam ideias em fazer uma campanha para Williams ser nomeada para melhor atriz, quase que rio, ainda mais se a compararmos com a sua prestação em “Manchester By The Sea”! O que foi surpreendentemente interessante foi a relação criada entre o raptor e o raptado.
Uma coisa na qual o filme foi bem sucedido foi em nos transportar para aquela época. Todo o design de produção nos deva para os anos 70 de forma muito bem executada.
“Todo o Dinheiro do Mundo” bem que precisava de toda a polémica para chamar as pessoas já que, como filme, não é assim nada de especial.


07/02/2018

Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri - 2018)



Nomeado para sete Óscares da Academia, incluíndo o de Melhor Filme, “Três Cartazes à Beira da Estrada” tem tudo para arrasar no dia 4 de março. Tendo gostado dos filmes anteriores do realizador Martin McDonagh (“Sete Psicopatas” e “Em Bruges”), eu não só estava à espera de passar um bom bocado como também o resultado foi muito superior do aquilo que estava à espera.
Uma mãe revoltada coloca três cartazes ao longo da estrada principal da vila com o intuito de divulgar e responsabilizar as autoridades por ainda não terem descoberto quem é que violou e matou a sua filha.
Aqui seguimos a viagem de revolta de Mildred (interpretada por Frances McDormand, que está nomeada para melhor atriz) por não existir justiça face ao assassinato da filha. Esta mulher não mostra medo de enfrentar a autoridade, a sua comunidade e mesmo o resto da sua família para dar seguimento às investigações. Pela perspetiva da narrativa, entendemos os dois lados: claro que se quer justiça sobre  que aconteceu mas também é possível entender que muitas investigações chegam a beco sem saída. O modo brutal como a atriz desempenha o papel é incrível, tão envolvida na sua “guerra” que quase esquece o que se passa à sua volta.
Do lado da polícia, temos Woody Harrelson e um racista Sam Rockwell (ambos nomeados para melhor ator secundário) que têm grandes papéis que, para mim, não são propriamente merecedores da nomeação. Harrelson faz uma interpretação que não foge da sua zona de conforto… Acaba por ser uma boa prestação, nada contra, mas sem nada de novo. Além disso, o modo como a personagem de Rockwell se transforma ao longo do filme é demasiado fácil e sem grande impacto.
O argumento é envolvente e cativante com vários tons de humor negro muito bem aplicados. No entanto, eu não fiquei propriamente contente com o final. “Três Cartazes à Beira da Estrada” é um sério candidato a vários prémios, com todo o direito de o ser, pois é um grande filme com grandes prestações.